17 de set. de 2014

As góticas da praia

já peguei minha calça rasgada e meu vinho barato foda-se a super lua eu quero é o super sol

25 de mai. de 2014

A casa dos whatsapps ignorados

ainda não era nem três horas
quando ele levantou e pensou
se não convidar agora
não convido mais

os cômodos iluminados
apenas pela telinha do touchscreen
em uma conversa aberta
com você

torce pelo assobio da samsung
desiste de escrever mais
amanhã será mais um dia
sem cerveja com você
ou
sem videogame com você

olha para a tela
manda a mensagem ousada
foda-se
não ligo

mas seria massa
se você percebesse
que eu tô querendo

12 de dez. de 2013

Barrado pela pobreza

quando sorriu
no banco do busão
arrepiei

escrevi uma carta de amor
em minha cabeça três cartas
durante o percurso

te acompanhando
desde o tchauzinho na janela
pra sua mãe até
a hora de trocar o ônibus pelo metrô

seguindo
descendo as escadas
já pensando no oi antes da glória

em câmera lenta
tirou os fones
para escutar

parado na catraca
enquanto você desaparece
na escada rolante
meus olhos grudam
na telinha vermelha
brilhando
com os dizeres

saldo insuficiente

22 de jul. de 2013

Só traz roupa se tiver frio

até o lee ranaldo
desceu a serra
pra ver o jogo do peixe

e você
nem pra pegar o cometão
pegar uma praia
uma hora
é muito longe

eu estou

longe

9 de mai. de 2013

Eu não queria que você virasse reaça, mas você virou


você não se importava
em andar a pé
1000 quilometros do meu lado

e nem em dormir
em um albergue sujo
no norte da argentina

mas gostava dos programas
de humor
que denunciavam a corrupção

e se você gosta disso agora
imagina
aos 50

e cadê os dvds pirata
do jodorowsky
em cima da estante?

será que você entendeu?

um dia a juventude passa
e tudo o que vai sobrar
é a tevê

eu não sei bem
quando foi que eu vi
que não dava mais
para abraçar
as tuas pernas

se foi quando
você compartilhou aquele vídeo
falando umas ~verdades~
sobre o carnaval no brasil

ou se foi quando
você disse que era um crime
assistir bergman
de bermuda

11 de abr. de 2013

Santos


a gente saía de bicicleta
pra jogar um pouco de lixo
nos quintais dos bairros mais ricos
no desespero que é a nossa pequena cidade
um amor de parquinho
um ônibus vazio
um vovô que pensa com a cabeça
da república oligárquica de 1889
numa cidade tão pequena, tudo é identitário
e cada colega de infortúnio é um grande amigo
numa cidade tão pequena
tudo é abortivo
numa cidade tão pequena
bate em retirada
numa cidade tão pequena
você está sempre preso
numa cidade tão pequena
você não tem saída
com os rumores, ele resolveu
que não queria mais viver como um dublinense;
só há morros por todos os lados;
largou a empilhadeira;
quem sabe ele te encontra de noite no gallo.
numa cidade tão pequena
tudo é abortivo
numa cidade tão pequena
bate em retirada
numa cidade tão pequena
você está sempre preso
numa cidade tão pequena
você não tem saída
Foto de Jorge Françozo de Moraes.

9 de abr. de 2013

Volte numa quinta-feira, por favor


tenho certeza que o seu quarto não era feito só
de pornografia barata
para os momentos de solidão

na gaveta imagino
discos do fugazi
e o livro que você não leu
mas não entendi morrer
tão longe de casa
sendo que eu esperava você chegar
comendo uma batata frita no sofá

a mureta do canal, o relógio de sol
as saudosas barracas onde eram os quiosques
e o half-pipe
o que será que você planejou para eles?

depois de tantos verões
invadindo a cidade
não é possível que você os tenha
deixado de lado

20 de mar. de 2013

A verdadeira meca santista


duas espigas de milho na praia
ou um sorvete garoto
um churros na frente do parque balneário
para voltar para casa tranquilo
e sem saudade